Dear Vietnam
Querido Vietname,
Sempre senti uma pequena paixoneta por ti. Mas quando te conheci, foi amor à primeira vista.
Nunca consegui tirar o sorriso dos lábios enquanto caminhava pelas tuas ruas. A bondade dos teus habitantes foi uma das coisas mais puras que alguma vez experimentei.
Atravessar uma estrada contigo é um desafio. Ainda assim, surpreendia-me sempre a forma cautelosa e quase elegante com que as motas e bicicletas serpenteavam à minha volta.
Vi cães, famílias inteiras e cargas impossíveis equilibradas em bicicletas e motas. E, sem saber bem porquê, isso fez-me pensar que, com pouco, conseguimos fazer muito.
O cuidado que tens com as flores, os detalhes como pintas os teus quadros e a simplicidade como cozinhas os teus pratos (ainda assim consegues torná-los deliciosos). Tudo isto, que expões ao olhar do visitante, trouxe-me inspiração.
Trouxeste leveza à forma como olho para a vida. Lembraste-me que a rotina nem sempre precisa de ser cinzenta e deste-me coragem para enfrentar um desafio que há muito adiava.
Quando chegou o momento de partir, as lágrimas correram. Foi a primeira vez que me aconteceu depois de tantas viagens. Não me queria despedir.
Mas hoje, enquanto de escrevo esta carta, percebo que afinal nunca te despediste de mim.
Com amor,
Pipa.